Gostaria de ter mais informações sobre o tema, quem pode me ajudar?


Tags: Banco, Microcrédito, do, povo

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Respostas a este tópico

Olá Elizabeth! Há muito tempo não entro nesse fórum. Talvez já conheça as coisas que vou indicar:

Desenvolvimento local é um conceito bem amplo, sobre o qual não há consenso. Sugiro que visite a página do professor Ladislau Dowbor (PUC), cuja compreensão sobre o tema é extremamente interessante, além de didática. (dowbor.org). Há um texto crítico do professor Francisco de Oliveira (USP), muito interessante também. Acredito que este texto está disponível do site do Instituto Pólis (www.polis.org.br). Se não estiver, posso enviá-lo por e-mail.
Não precisamos ir longe para entender a relação entre microcrédito e desenvolvimento local. Há, no Brasil, mais de 50 bancos comunitários, instituições que trazem como objetivo ser democráticas e que tentam integrar produtores e consumidores, ativando o consumo local. O BPP é também um instrumento de desenvolvimento local. Pude ver muita gente mudando de vida, quando eu era agente de crédito. Acredito contudo que há muitas experiências interessantes sobre a qual podemos aprender, das quais podemos nos inspir e que nos permitem renovar.
Abraços,
Daniel
garciadmp@yahoo.com.br
Lembrei de um exemplo:
Quando era AC todos os nossos clientes de assentamento financiavam materiais para equipar as suas granjas. Todos vendiam para a mesma empresa, a Rei Frango. Essa empresa é um intermediária no processo: ela deve ter custos muito reduzidos pulverizando a criação dos frangos para os assentados. E era ela quem controlava o preço, quando os assentados vendiam os frangos, já crescidos, prontos para o abate. A prncipal beneficiária desse processo era a tal empresa, quem no município ficava.
Se tivéssemos mais força para fomentar a agricultura familiar, uma série de agentes seriam beneficiados: os assentados pois poderiam produzir o que achassem que poderia dar certo (teriam mais riscos, mas convenhamos que ser refém de um único comprador é também um risco enorme), provavelmente seria necessário um esforço para a distribuição, o que geraria oportunidades para outras pessoas, e os próprios munícipes, pois teriam à sua disposição produtos mais saudáveis, produzidos no próprio município.
Daniel
Achei super pedagógico seu exemplo para explicar o que a falta de integração entre produtores e consumidores ocasiona quando não se tem esquemas de distribuição que atendam diretamente aos cidadãos. Quem tem mais capital acaba sendo o principal comprador das mercadorias e fixando o preço. É triste, não? Quer dizer que do seu ponto de vista precisaria ter um programa integrado atrás de cada ação realizada? Ou seja, algo que criasse ou que organizasse a tal cadeia produtiva, é isso?
É correto falar em criação de cadeia produtiva? Se sim, como se faz isso? É uma articulação de fundo político?
Um abraço
Oi, Elizabeth!
Você traduziu bem: a questão é integração (há um conceito em economia solidária chamado rede de prossumidores - esse neologismo é justamente a aglutinação, em termos literal e figurado, dos termos produtor e consumidor). Como existem muitos contextos e cada localidade possui as suas especificiades, talvez seria leviano afirmar que há um jeito, um método, para buscar tal integração. Penso que as cadeias já existem, ocorre que algumas estão desconfiguradas, com alguns intermediários concentrando a maior parte do valor que por elas circulam. A questão então é identificar em que elo há intermediários "sangue-sugas", em que elo há gargalos, o que, sem dúvida, não é uma tarefa simples. O que torna essa identificação ainda mais difícil é que, para mim, esse processo é, sim, político. Me refiro não à política que vem de cima, dos partidos e das prefeituras ou mesmo do governo do Estado, mas da política que vem de baixo, dos próprios cliente que o BPP atende. Digo que fica mais difícil, pois há poucos espaços (como fóruns ou qualquer outro tipo de espaço, mesmo que informal) em que os clientes possam expor suas opiniões sobre esses temas.
Estou há dois anos sem muito contato com o BPP. Você é agente de crédito? Sabe se há alguma iniciativa em que os clientes entram em contato um com outro?
Estou pensando muito alto, mas sabendo que o BPP tem clientes de várias etapas e diferentes ramos de processos produtivos, não acha que poderia ser um articulador de uma rede que integre produtores e consumidores?
Abraços,
Daniel
Oi, Bruno
Eu não sou agente de crédito do BBP, eu sou técnica do Cepam, por isso não posso desempenhar o que vc propõe. Mas, acho muito importante essa discussão, nós aqui temos pensado como um canal de comunicação aproximando produtores e consumidores faz falta. Nos Grupos ( Banco do Povo e no Microcrédito Produtivo) há vários agentes de crédito participando. Que tal vc lançar a idéia de criação de uma REDE DE EMPREENDEDORES LOCAIS com a finalidade de aquecimento das microeconomias locais. Vc tem experiência e isso ajuda muito.
A título de exemplo passo o link de um site que, entre outros objetivos, possibilita essa comunicação. Dê uma olhadinha, caso vc não conheça. http://www.vilanarede.org.br/
Um abraço
Olá Elisabeth!
Fico todo entusiasmado só de pensar que poderia participar de alguma atividade assim com os agentes de crédito, novamente! Não sei se aprendi a manejar os recursos desta Rede muito bem, então não sei como fazer chegar uma mensagem aos mais de 100 inscritos no grupo do BPP e Microcrédito Produtivo. Seria criando um novo tópico de discussão?
Além de aproveitarmos o espaço da Rede CIM, acha que há outras formas e meios de nos sensibilizarmos (ACs, Cepam, BPP e quem tiver interesse), idealizarmos e tirarmos do papel essa ideia de rede dos clientes do BPP?
Abraços e muito obrigado pela dica do site!
Daniel
Bruno
Vc postando no grupo todos os cadastrados receberão no seu e-mail uma notificação com link sobre a postagem de nova mensagem. Além disso, vc pode reproduzir a mesma mensagem (ou outra) em outros grupos afins com o propósito de atingir as outras pessoas potencialmente interessadas nesse assunto, ou seja, discutir com os outros grupos a proposta.
Um abraço

Daniel Bruno Garcia disse:
Olá Elisabeth!
Fico todo entusiasmado só de pensar que poderia participar de alguma atividade assim com os agentes de crédito, novamente! Não sei se aprendi a manejar os recursos desta Rede muito bem, então não sei como fazer chegar uma mensagem aos mais de 100 inscritos no grupo do BPP e Microcrédito Produtivo. Seria criando um novo tópico de discussão?
Além de aproveitarmos o espaço da Rede CIM, acha que há outras formas e meios de nos sensibilizarmos (ACs, Cepam, BPP e quem tiver interesse), idealizarmos e tirarmos do papel essa ideia de rede dos clientes do BPP?
Abraços e muito obrigado pela dica do site!
Daniel
Tudo se resume a vontade politica.. Creio que a inserção do microcrédito atrapalha e muito os Bancos que tem outras intenções para estes empreededores. Quanto ao desenvolvimento local, acredito muito que o o microcrédito alavanca as potencialidades do municipio, e o principal erradica o assistencialismo tão em voga neste País.
Hélcio
só a erradicação do assistencialismo já é um resultado muito bom. Vc tem toda razão.

HELCIO JOSE FIGUEIRA disse:
Tudo se resume a vontade politica.. Creio que a inserção do microcrédito atrapalha e muito os Bancos que tem outras intenções para estes empreededores. Quanto ao desenvolvimento local, acredito muito que o o microcrédito alavanca as potencialidades do municipio, e o principal erradica o assistencialismo tão em voga neste País.
O Microcrédito produtivo sem dúvida é um importante instrumento para o desenvolvimento local, principalmente em regiões menos favorecidas. Aqui em Cubatão, o desenvolvimento desordenado da cidade, motivado pelo avanço industrial e a construção da Rodovia Anchieta desde o final da década de 40 do século passado, gerou um bolsão de pobreza e invasões de áreas de preservação ambiental. As pessoas que aqui chegavam em busca de um futuro melhor trabalhando nas industrias e construção de estradas, ao serem demitidas acabavam ficando por aqui e procuravam firmar residência invadindo os manguezais e os morros da cidade. Com a falta de emprego, iniciavam seu próprio negócio vendendo cocadas, refrigerantes, água e outros produtos. Também surgiram costureiras, sacoleiras (vendedoras de roupas ambulantes), mecânicos e uma diversidade de comércio. Com a chegada do Banco do Povo Paulista na cidade, essas pessoas começaram a ter um horizonte mais confiante. A maioria dos pequenos empreendedores sobrevivem do próprio negócio e com isso falta fôlego para investimento. Sem contar que por conta de algumas dificuldades do negócio, devido a sazonalidade natural das vendas, contraem emprestimos ou acabam usando o cartão de crédito para compra das mercadorias a juros altos, levando o negócio à estagnação. No Banco do Povo encontraram "refrigério" para seus negócios! Juro de 0,7% ao mês sem taxas adicionais, muitos nem acreditam. Desde 03 de Novembro de 2001, portanto há nove anos, muitos pequenos empreendedores de Cubatão sairam da linha da pobreza nos negócios para a abertura de empresa. Deixaram de contrair empréstimos bancários e usar cartão de crédito para compra de mercadorias e eqjuipamentos. Deixaram "o fundo do quintal" ou a garagem para trás e hoje possuem ponto fixo em ruas movimentadas e até no centro da cidade. Tiveram sua cidadania resgatada, melhoraram o padrão de vida e a alto estima é predominte. Com isso, o desenvolvimento local melhorou, pois os recursos liberados pelo Banco do Povo Paulista acabam girando na cidade, trazendo resultados positivos para todos: comerciantes, consumidores, poder publico, Associação Comercial, etc...
Orestes
Que interessante o seu depoimento. Tem muito peso, afinal é o testemunho do resultado que o Microcrédito produtivo produziu em Cubatão: Promoção econômica da população e/ou viabilização do empreendedorismo local. É isso?
São quase 10 anos de Banco do Povo atuando na cidade. De maneira geral, a população percebe esses resultados que vc relatou? Imagino que sejam evidentes, né? Como foi (ou como é) a relação com o Poder Público, uma vez que a experiência vai além de uma gestão?
Vc falou em ganha x ganha, ou seja, os resultados são positivos para todas as forças. Comente mais sobre essa experiência ou a de outros municípios, se vc conhecer.
Abç


Orestes Correia Leite Junior disse:
O Microcrédito produtivo sem dúvida é um importante instrumento para o desenvolvimento local, principalmente em regiões menos favorecidas. Aqui em Cubatão, o desenvolvimento desordenado da cidade, motivado pelo avanço industrial e a construção da Rodovia Anchieta desde o final da década de 40 do século passado, gerou um bolsão de pobreza e invasões de áreas de preservação ambiental. As pessoas que aqui chegavam em busca de um futuro melhor trabalhando nas industrias e construção de estradas, ao serem demitidas acabavam ficando por aqui e procuravam firmar residência invadindo os manguezais e os morros da cidade. Com a falta de emprego, iniciavam seu próprio negócio vendendo cocadas, refrigerantes, água e outros produtos. Também surgiram costureiras, sacoleiras (vendedoras de roupas ambulantes), mecânicos e uma diversidade de comércio. Com a chegada do Banco do Povo Paulista na cidade, essas pessoas começaram a ter um horizonte mais confiante. A maioria dos pequenos empreendedores sobrevivem do próprio negócio e com isso falta fôlego para investimento. Sem contar que por conta de algumas dificuldades do negócio, devido a sazonalidade natural das vendas, contraem emprestimos ou acabam usando o cartão de crédito para compra das mercadorias a juros altos, levando o negócio à estagnação. No Banco do Povo encontraram "refrigério" para seus negócios! Juro de 0,7% ao mês sem taxas adicionais, muitos nem acreditam. Desde 03 de Novembro de 2001, portanto há nove anos, muitos pequenos empreendedores de Cubatão sairam da linha da pobreza nos negócios para a abertura de empresa. Deixaram de contrair empréstimos bancários e usar cartão de crédito para compra de mercadorias e eqjuipamentos. Deixaram "o fundo do quintal" ou a garagem para trás e hoje possuem ponto fixo em ruas movimentadas e até no centro da cidade. Tiveram sua cidadania resgatada, melhoraram o padrão de vida e a alto estima é predominte. Com isso, o desenvolvimento local melhorou, pois os recursos liberados pelo Banco do Povo Paulista acabam girando na cidade, trazendo resultados positivos para todos: comerciantes, consumidores, poder publico, Associação Comercial, etc...
O Banco do Povo Paulista é um programa de microcrédito fascinante! O saudoso Mário Covas, idealizador do Programa, buscou inspiração em Muhammad Yunus, criador do Microcrédito, premio Nobel da Paz. Ele tinha o empreendedorismo no sangue e certamente o testemunho de Yunus o fortaleceu muito (e a mim também) em sua trajetória pessoal e política. E porque o BPP é fascinante? Quando o Agente de Crédito "veste a camisa" e se empenha, os resultados são positivos. Ele atua não por obrigação, cumprimento do dever ou simplesmente pelo salário, mas atua em função de um ideal: transformar o sonho de um pequeno empreendedor em realidade: ser empresário de sucesso! Eu participei desse processo junto com vários empreendedores (ver o vídeo "Banco do Povo Itinerante" em minha página). Foram vários anos e contratos renovados até o sucesso. Isso é gratificante...fascinante! O diferencial do BPP em relação a outros programas de microcrédito, além do juro de 0,7% ao mês, é o relacionamento cliente-Agente. Quando voce vai ao cliente, tem contato com seu empreendimento, conhece sua realidade, dificuldades, se coloca a disposição para auxilia-lo na solicitação de crédito, de modo que seja na medida ideal para o momento (nem muito nem pouco), voce quebra todos os protocolos de atendimento e a frieza dos bancos comerciais e cria um novo relacionamento com o "olhar humano", muitas vezes inexistente até em nossos parceiros! Por isso também a população percebe os bons resultados do BPP, pois onde passa um Agente, logo alguém diz: "lá vai o homem do Banco do Povo"! Se existe cliente empreendedor de sucesso, existe Unidade de sucesso, Agente de sucesso, Gestor de sucesso...."A PAZ DURADOURA NÃO PODE SER ATINGIDA A MENOS QUE GRANDES GRUPOS DA POPULAÇÃO ENCONTREM FORMAS DE SAIR DA POBREZA". (Muhammad Yunus)

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