O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, recebeu nesta quarta-feira (9/12) um projeto em tramitação no Congresso Nacional que prevê a realização de plebiscito, em outubro do ano que vem, sobre reforma política.

A cópia do Projeto de Decreto Legislativo foi entregue ao ministro Gilmar Mendes pelo deputado Raul Jungmann (PPS/PE). Pela proposta, deve ser realizado durante as Eleições Gerais de 2010 um plebiscito à nação brasileira com a seguinte questão: “O Congresso Nacional deve aprovar uma reforma política que promova maior transparência, controle social e o combate efetivo à corrupção?”.

Caso a resposta seja ‘sim’, por maioria simples dos votos apurados, a próxima legislatura eleita em outubro de 2010 ficaria obrigada a realizar uma reforma política no país. Apesar de determinar a realização da reforma pelo novo Congresso Nacional, o projeto não especifica que pontos devem entrar nessa reforma.

Segundo o deputado Raul Jungmann, sempre que se pensa em fazer uma reforma política no Congresso Nacional se esbarra “naqueles que não querem ou naqueles que têm medo”. Por isso, o parlamentar afirmou que pretende levar a proposta para o Ministério Público, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), e a outras entidades representativas da sociedade civil.

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Não se discute a necessidade de reformulação de disposições constitucionais e legais que tratam de assuntos partidários e eleitorais. Mas, a proposta nada propõe e não dá ao cidadão a real pretensão do Congresso Nacional.

Não se pode perder de vista que o disciplinamento do plebiscito está contido na Lei federal 9.709/98 e o define como consulta formulada ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. O povo é convocado antes da lei ou ato que lhe é submetido para, por meio do voto, aprová-lo ou denegá-lo. E tem um detalhe: sabe-se exatamente o que se vai votar, o que não ocorre com o projeto de decreto legislativo. Afinal, o que é "uma reforma política que promova maior transparência, controle social e combate efetivo à corrupção"?

Deve ser perguntado ao povo se ele quer o financiamento público de campanha, ou se deve acabar com o horário destinado aos partidos políticos para apresentação de seus programas partidários em cadeia nacional, ou se deve ser aberto o voto no Senado, na Câmara de Deputados, nas Assembleias Estaduais e nas Câmaras de Vereadores quando for o caso de cassação de mandato, entre outras matérias específicas, e não deixar ao sabor dos congressistas a definição do conteúdo da tal reforma política, até porque cada qual tem opinião, compreensão e interesse distintos sobre isso.

Enfim, não se faz plebiscito sobre o conceito "Reforma Política", mas, sim, sobre o conteúdo dessa Reforma.

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