Nossa vida é uma grande rede?

A tecnologia e a internet modificaram a forma de interação das pessoas?

Nascemos e vivemos em uma família que mora em uma casa, que fica em uma rua, que por sua vez se localiza em um bairro pertencente  a uma cidade, esta é unidade de  um estado que compõe nosso  país que fica em um continente que  é parte integrante de nosso planeta. 

Todo os dias nos  relacionamos com varias redes, redes essas compostas por pessoas, que por sua vez se relacionam com outras redes também compostas por pessoas.  Essas são as redes sociais, e não existem limites de participação. Em casa, na rua em que moramos, na escola, com amigos, no trabalho, no clube, na balada, no estádio de futebol e outra infinidade de situações onde exista algum tipo de relacionamento humano, onde são trocados informações conhecimentos, experiências, angustias, alegrias, sensações, percepções , opiniões, sentimentos, hormônios, companhia, sexo e tudo mais que carrega um ser humano. Essas redes colaboram diretamente com a  formação das nossas opiniões,  caráter e comportamento e  isso fica claro quando conversamos com pessoas que vivem em localidades com costumes diferentes dos nossos.

 

 

 

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Na minha visão o que a tecnologia fez, foi permitir ampliar a vivência em rede, isto é, nos proporcionou a viver "sem fronteiras e espaços" sendo todos uma única rede, mas sei que na prática ainda levamos muito de nossos preceitos diários para este novo modelo de rede.

O legal é começarmos a entender como funciona o modelo de rede.Conforme o Prof. Augusto de Franco, muitos estudiosos das redes sociais, sobretudo das impropriamente chamadas “redes sociais na Internet” – como Facebook, Orkut e Twitter, dentre outras várias – tentam aplicar conceitos da velha sociologia para analisar a nova fenomenologia que se manifesta nos padrões mais distribuídos do que centralizados de organização. Um dos conceitos que aplicam é o de ‘poder’.

Sustento que não dá certo. Do ponto de vista das redes, poder é um fenômeno próprio de padrões mais centralizados do que distribuídos de organização. Há poder, no sentido de poder de mandar nos outros, na exata medida em que há centralização, ou seja, hierarquização.

Tão simples assim:
- se uma rede tem 33% de centralização, você poderá “usá-la”, no máximo, por assim dizer, para exercer 33% de poder:
- mas se ela tem 0% de centralização, então você não poderá exercer nenhum poder (propriamente dito) sobre os outros:

Mas é claro que isso é apenas um modo de dizer que o poder nas redes significa centralização.

De um certo ponto de vista o que representamos como redes são rastros de fluições: tentativas de capturar uma dinâmica que ocorre no espaço-tempo dos fluxos, ou naquela particular “brana” onde essas fluições existem como tais.

Desse ponto de vista – que deverá ser o da chamada ‘nova ciência das redes’ se e quando os pesquisadores descobrirem que não podem remendar os velhos estatutos das ciências sociais, inserindo seus métodos (matemáticos) de análise para escapar dos discursos descritivos e prescritivos dessas ciências – redes não são o que parecem (nodos linkados entre si, representados por grafos: arestas e vértices) mas movimentos em um campo de fluições (como se fossem configurações de aglomeramentos – ou espalhamentos – de bósons, para fazer um paralelo com partículas mensageiras dos campos de forças físicas).

De um ponto de vista político, entretanto – obrigatório, se quisermos continuar usando o conceito de ‘poder’ sem cometer deslizamentos epistemológicos mais graves – redes sociais (distribuídas) são movimentos de desconstituição de hierarquia (na exata medida dos seus graus de distribuição).

Portanto, ao invés de ficarmos discutindo a possibilidade de alguém exercer poder nas redes, deveríamos estar discutindo a medida da impossibilidade de alguém fazê-lo (e essa medida, convém repetir, é a medida inversa do grau de centralização da rede em questão). Isso porque, conquanto de um ponto de vista topológico, todos os complexos de fluições (ou coleções de nodos e conexões) sejam redes (mais distribuídas ou mais centralizadas), o termo rede é aplicado correntemente à configurações onde há multiplicidade de caminhos (abundância). Não costumamos usar a palavra rede para designar hierarquias (caracterizadas pela escassez de caminhos), a despeito de sacrificarmos com isso o rigor matemático (para o qual todos os sistemas de nodos e conexões devem ser notados como redes independentemente do grau de distribuição).

Ora, se quanto mais caminhos houver entre os nodos menos poder se consegue exercer sobre eles, então – em homenagem à clareza, deveríamos dizer que – o poder é uma medida de não-rede.

A sociologia tem alguma culpa por essa confusão de conceitos. Sua culpa – para resumir em poucas palavras – foi apenas a de não ter compreendido as redes. Ou ter tentado apreendê-las a partir de conceitos inadequados ou impotentes para captar o que está além (ou seria aquém?) da representação: conceitos como ‘representação’, ‘atores sociais’, ‘grupos’, ‘estruturas sociais’ e, por incrível que pareça, ‘social’ e ‘sociedade’. Já havia ela (a sociologia) cometido o mesmo erro com a noção de capital social (e se trata, exatamente, do mesmo erro de vez que a abordagem sociológica não entendeu que ‘capital social’ e ‘rede social’ se referem, exatamente, à mesma coisa).

Vamos, portanto, tentar refazer aqui o caminho desse erro....continuamos a conversa em próximo post......

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